UF — União Fraternal dos Discípulos de Jesus Butantã — São Paulo / SP
EDGARD ARMOND

O Educador

Filho de Henrique Ferreira Armond e de Leonor Pereira de Souza Armond, ambos de Minas Gerais, Edgard nasceu em Guaratinguetá, no interior de São Paulo. Aos 21 anos alistou-se na Força Pública do Estado — hoje Polícia Militar —, e dois anos mais tarde ingressou na Escola de Oficiais. Casou-se com Nancy de Menezes, com quem teve quatro filhos biológicos e dois adotivos.

A vida militar formaria nele o traço mais reconhecível: disciplina a serviço de um ideal. Mas seria o Espiritismo que daria direção definitiva a esse espírito.

A Virada: da Força Pública à Causa Espírita

Em 1939, licenciado do serviço militar por razões de saúde, Armond foi convidado a ocupar o cargo de secretário-geral da Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP). Era o início de uma década intensa de reorganização institucional e de plantio do que viria a ser seu maior legado.

Como expositor, era detentor de um discurso persuasivo, com linguagem clara e objetiva. Como escritor, era profundo estudioso dos fenômenos psíquicos. Escreveu uma série de 21 livros didáticos, parte deles destinada ao uso nas Escolas e os outros para a Fraternidade dos Discípulos de Jesus.

Em 1944, fundou o jornal O Semeador e conduziu o Programa de Rádio “Hora Espírita”, veiculado na Rádio Tupi.

A Escola de Aprendizes do Evangelho e a FDJ

A trajetória da Fraternidade dos Discípulos de Jesus tem início muito antes de sua criação formal. Foi na década de 1940, no processo de estruturação da FEESP, que Edgard Armond reconheceu a atuação das fraternidades do espaço — grupos de espíritos dedicados que agem nas mais diversas frentes para auxílio e orientação de espíritos em sofrimento.

Nesse período, adeptos do Espírito Razin constataram uma notável identificação de ideais com o movimento de evangelização que Armond conduzia, e passaram a apoiar definitivamente a iniciativa.

Em 1950, cumprindo o programa estabelecido pelo Plano Espiritual Superior, o Comandante criou as Escolas de Aprendizes do Evangelho — para que, por meio de estudos orientados, as pessoas pudessem aprender o Evangelho e não apenas decorá-lo, utilizando-o como código de conduta, renovando-se de dentro para fora pelas lições da Boa Nova. Criou também as Escolas de Médiuns, visando a melhoria do intercâmbio espiritual, e a Fraternidade dos Discípulos de Jesus, concebida como órgão de agrupamento dos trabalhadores do campo religioso.

A jornada dentro da EAE seguia três etapas: no primeiro ano, os iniciantes eram chamados de Aprendizes — para aprenderem a amar; no segundo, Servidores — orientados a servir; no terceiro, Discípulos — para fazê-lo por conta própria, tornando-se testemunhos derradeiros do Evangelho Redentor.

A Maturação e o Setor III

Em 1973, Armond fundou a Aliança Espírita Evangélica — instituição irmã que, como a União Fraternal, compartilha a mesma raiz espiritual, seguindo, porém, sua própria e independente trajetória.

Mas o Comandante ainda tinha um passo a dar. Em 1980, já com mais de oitenta anos, recebeu do plano espiritual uma orientação que marcaria o futuro:

“A independência da Fraternidade dos Discípulos de Jesus é medida aconselhável por ser basilar e essencial à formação e aos testemunhos evangélicos exigidos pelos próximos acontecimentos ao transcurso do milênio.”

Nascia o Setor III da FDJ. Não mais o compromisso com uma Casa Espírita. O compromisso com a Causa Espírita — inteira, livre, fraternal.

O Retorno e a Presença Contínua

Em 29 de novembro de 1982, às 4h30, Edgard Armond desencarnou no Hospital Osvaldo Cruz, em São Paulo. Tinha 88 anos. Uma vida inteira dada.

Quando o Comandante reencontrou os companheiros do plano espiritual, começou a organizar tarefas de reeducação e reconforto — para que os encarnados pudessem continuar fazendo da Escola de Aprendizes a Oficina do Amor, multiplicando, na convivência fraternal, a capacidade de amar.

O que Herdamos

A União Fraternal dos Discípulos de Jesus, fundada em 10 de janeiro de 2004, nasce diretamente do Setor III — a semente que Armond plantou nos seus últimos anos de vida encarnada.

Cada Casa Integrada que abre suas portas, cada Escola de Aprendizes que acolhe um novo caminhante, cada encontro onde irmãos se reúnem em torno do Evangelho — tudo isso é, de alguma forma, a continuação do que o Comandante começou.

“Não somos uma memória de Edgard Armond. Somos um desdobramento vivo do seu trabalho.”

UNIÃO FRATERNAL DOS DISCÍPULOS DE JESUS